quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A GOTINHA REBOLINHA



correu comigo. Mas não fui longe. Fiquei presa num espinho de roseira. E o espelho disse-me:
- Quem és tu, que não foges de mim? Que vens preencher a minha solidão, porque todos me fogem com medo de se ferirem?
Disse-lhe quem era e contei-lhe a minha história, já a chorar, com medo da nova corrida...
- Não chores, pequenina amiga. Eu não sou mau, como dizem. Só magoo quando não me tocam com jeito. Se quiseres ficar comigo, eu terei uma companhia e já não me sentirei abandonado e sozinho.
- Oh! amigo Espinho! Como tu és bom! Vou ficar contigo! Mas, depois as manas vão-me encontrar e eu terei de te deixar...
- Não faz mal. Mas ao menos eu sei que alguém não pensará que eu sou mau e não se vai esquecer de mim.
E o Sol, que passava naquele momento, ao ouvir esta conversa tão bonita, desceu mais um pouco, parou, sorriu e disse que também queria ser nosso amigo. E, como estava cheio de sede, pediu-me de beber. Deixei-o molhar uma ponta dos seus cabelos doirados. E brincamos sempre juntos. O Sol mata em mim a sua sede, quando faz calor. À noite, separamo-nos. O Sol parte e eu fico com o Espinho, nesta Roseira do teu jardim...Ainda não me viste? Só ouves a minha voz? Mas espera, olha para aqui. Não... Vira um pouquinho mais a cabeça...Aqui estou! Até que enfim que me viste. Queres ser nosso amigo também?

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