correu
comigo. Mas não fui longe. Fiquei presa num espinho de roseira. E o espelho
disse-me:
-
Quem és tu, que não foges de mim? Que vens preencher a minha solidão, porque
todos me fogem com medo de se ferirem?
Disse-lhe
quem era e contei-lhe a minha história, já a chorar, com medo da nova
corrida...
-
Não chores, pequenina amiga. Eu não sou mau, como dizem. Só magoo quando não me
tocam com jeito. Se quiseres ficar comigo, eu terei uma companhia e já não me
sentirei abandonado e sozinho.
-
Oh! amigo Espinho! Como tu és bom! Vou ficar contigo! Mas, depois as manas
vão-me encontrar e eu terei de te deixar...
-
Não faz mal. Mas ao menos eu sei que alguém não pensará que eu sou mau e não se
vai esquecer de mim.
E
o Sol, que passava naquele momento, ao ouvir esta conversa tão bonita, desceu
mais um pouco, parou, sorriu e disse que também queria ser nosso amigo. E, como
estava cheio de sede, pediu-me de beber. Deixei-o molhar uma ponta dos seus
cabelos doirados. E brincamos sempre juntos. O Sol mata em mim a sua sede,
quando faz calor. À noite, separamo-nos. O Sol parte e eu fico com o Espinho,
nesta Roseira do teu jardim...Ainda não me viste? Só ouves a minha voz? Mas
espera, olha para aqui. Não... Vira um pouquinho mais a cabeça...Aqui estou!
Até que enfim que me viste. Queres ser nosso amigo também?
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